Um projeto de extensão desenvolvido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ji-Paraná, está atraindo a atenção por sua abordagem inovadora e necessária ao discutir a menstruação entre adolescentes. A iniciativa, chamada “Princesas que menstruam: uma estratégia de fortalecimento da Dignidade Menstrual”, foi realizada entre maio e outubro de 2025 em uma escola estadual em Ouro Preto do Oeste, promovendo um espaço de aprendizado e diálogo que desafia estigmas e preconceitos sobre o ciclo menstrual.
Durante os encontros presenciais e rodas de conversa, coordenados pela enfermeira Rosiele Pinho e pela bolsista Antônia Érica, o projeto não apenas ofereceu informações sobre a fisiologia menstrual, mas também encorajou o autocuidado e a importância de desmistificar o que envolve a menstruação. A proposta vai além da simples educação em saúde; ela integra saúde, educação e juventude, abordando as complexidades sociais que envolvem a menstruação, especialmente em comunidades vulneráveis.
Projeto de extensão do Campus Ji-Paraná promove dignidade menstrual em escola estadual de Ouro Preto do Oeste | Geral
A menstruação, muitas vezes vista como um tabu, impacta diretamente a vida de meninas e mulheres. O projeto “Princesas que menstruam” emerge em um cenário onde a pobreza menstrual se torna um desafio significativo, afetando a autoestima e a permanência escolar de estudantes em contextos desfavoráveis. Com frequência, muitas jovens não recebem orientações adequadas em casa e enfrentam a desinformação em ambientes escolares que, por vezes, abordam o tema de forma tímida ou, em algumas situações, totalmente omissa.
Esta iniciativa do IFRO atua como um ponte de diálogo e aprendizado. Através de encontros planejados, a equipe de coordenação criou um espaço seguro onde as meninas podem compartilhar suas experiências e aprender sobre o ciclo menstrual em um ambiente acolhedor. A proposta incluiu também a distribuição de kits de higiene menstrual, o que demonstra um compromisso prático e realista com a dignidade menstrual.
A abordagem do projeto é integrada e inclui a discussão sobre a anatomia dos órgãos genitais femininos. Essa perspectiva é fundamental, pois permitir que as jovens entendam melhor seus corpos é um passo crucial na promoção da saúde e do autocuidado. Além disso, a educação sobre a menstruação deve incluir o reconhecimento do ciclo como um sinal de saúde, criando um ambiente em que meninas se sintam boas e confortáveis consigo mesmas.
A pobreza menstrual e seus impactos
O conceito de pobreza menstrual é central para compreender a mensagem do projeto. Ele trata da falta de acesso a produtos de higiene menstrual adequados, informação e infraestrutura. No Brasil, a realidade da pobreza menstrual é alarmante, afetando especialmente jovens em regiões onde a escassez de recursos é evidente. Dados indicam que muitas meninas faltam à escola durante o período menstrual por não terem acesso a absorventes ou por sentirem-se envergonhadas de lidar com o tema em ambientes escolares.
Essa condição não apenas resulta em faltas escolares, mas pode afetar o desenvolvimento emocional e a autoestima das estudantes. Por isso, o projeto do Campus Ji-Paraná não se limita a oferecer educação, mas também apresenta soluções práticas. A entrega de kits de higiene menstrual é uma ação que visa garantir que as jovens tenham acesso imediato a produtos que podem fazer toda a diferença, permitindo que elas se sintam confortáveis e seguras.
Outra questão importante abordada é a importância da saúde menstrual. Compreender a menstruação como um fenômeno natural, que deve ser acolhido e cuidado, é uma das mensagens centrais do projeto. Esse olhar humanizado e educativo é essencial para promover não apenas a saúde, mas também a dignidade e o respeito que toda mulher merece.
Educação como ferramenta de transformação
A experiência do projeto ressalta a escola como um espaço estratégico para a promoção de direitos e para a saúde. Promover a dignidade menstrual dentro de ambientes educacionais tem o potencial de mudar a forma como a menstruação é percebida, quebrando tabus e fomentando conversas necessárias para o fortalecimento da autoestima das jovens.
As rodas de conversa, além de abordarem informações científicas, serviram como espaços de escuta e troca de experiências. Isso é fundamental, pois permite que as participantes se sintam valorizadas e empoderadas. Ao discutir temas muitas vezes considerados “papel de mulher” de forma aberta, elas podem ressignificar suas experiências e adquirir confiança.
É importante ressaltar que ações como essa não acontecem isoladamente. O projeto do IFRO faz parte de um movimento maior que visa garantir a equidade e promover a inclusão social. A combinação de saúde, educação e assistência social é crucial para garantir que jovens em situação de vulnerabilidade tenham acesso aos direitos básicos.
Pelo menos um passo em direção à equidade
O projeto não apenas sensibiliza as jovens sobre a questão da menstruação, mas também desafia a sociedade a repensar seus preconceitos. A promoção de campanhas educativas nas escolas pode ampliar a conscientização sobre a pobreza menstrual e suas consequências. É um chamado à ação para que diferentes comunidades se unam em torno de uma causa comum: a garantia da dignidade de todas as garotas e mulheres.
As dificuldades enfrentadas pelas jovens durante o ciclo menstrual não devem ser vistas como questões isoladas, mas sim compreendidas dentro de um contexto que envolve desigualdades sociais e econômicas. Assim, iniciativas como a feita pelo IFRO se tornam essenciais para a luta pela equidade de gênero.
Perguntas Frequentes
Qual é o objetivo principal do projeto “Princesas que menstruam”?
O projeto visa promover a dignidade menstrual, educação sobre saúde e autocuidado, além de quebrar tabus relacionados à menstruação.
Quem coordenou o projeto?
A enfermeira Rosiele Pinho e a bolsista Antônia Érica foram as responsáveis pela coordenação e execução das atividades.
Como o projeto aborda a pobreza menstrual?
O projeto conscientiza sobre a falta de acesso a produtos de higiene menstrual e promove soluções práticas, como a distribuição de kits de higiene.
Qual o impacto do projeto nas participantes?
As participantes tiveram a oportunidade de aprender sobre a menstruação de forma acolhedora, contribuindo para melhorar sua autoestima e permanência escolar.
O que outras escolas podem fazer em relação a esse tema?
Escolas podem implementar projetos e campanhas educativas sobre a menstruação, promovendo conversas abertas e acessibilidade a produtos de higiene.
Por que a educação sobre menstruação é importante?
A educação sobre menstruação ajuda a combater o estigma, promove o autocuidado e garante que jovens compreendam melhor seus corpos, fundamentais para a saúde feminina.
Conclusão
O projeto “Princesas que menstruam: uma estratégia de fortalecimento da Dignidade Menstrual” revela a importância do diálogo e da educação na promoção da dignidade menstrual entre jovens. Através de ações concretas, como a entrega de kits de higiene, e um espaço acolhedor para o aprendizado e compartilhamento de experiências, a iniciativa não apenas educa, mas também empodera significativamente as meninas. Ao promover a compreensão sobre o ciclo menstrual como um aspecto natural da saúde feminina, o projeto constrói uma ponte para um futuro mais equitativo e respeitoso, onde meninas e mulheres possam viver sem os obstáculos impostos por tabus e desigualdades sociais. O IFRO, por meio de suas ações, torna-se um exemplo a ser seguido em iniciativas que promovem a dignidade e o respeito à saúde das mulheres, contribuindo para uma sociedade mais justa e humanizada.

Editora do blog ‘Meu SUS Digital’ é apaixonada por saúde pública e tecnologia, dedicada a fornecer conteúdo relevante e informativo sobre como a digitalização está transformando o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.
