Dignidade Menstrual: Programa entrega mais de 82 mil absorventes para meninas e mulheres

A pobreza menstrual é um tema que vem ganhando destaque nas discussões sobre saúde pública e direitos humanos. No Brasil, e especialmente no estado do Amazonas, a situação se torna ainda mais crítica devido às condições socioeconômicas que afetam muitas meninas e mulheres. Na busca por soluções, iniciativas como o programa “Dignidade Menstrual” têm se mostrado fundamentais para a inclusão social e a promoção da saúde. Em 2025, esse programa assegurou o acesso a 82.420 absorventes higiênicos para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade, por meio de um trabalho coordenado da Secretaria de Estado da Assistência Social e Combate à Fome (Seas). Este artigo explorará os impactos dessa iniciativa, suas ações e o contexto em que atua.

Dignidade Menstrual: Programa entrega mais de 82 mil absorventes para meninas e mulheres em 2025

O programa “Dignidade Menstrual” foi criado em 2022, visando garantir que meninas e mulheres entre 12 e 50 anos, cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico), tenham acesso a absorventes higiênicos de forma gratuita e contínua. Essa iniciativa é especialmente importante em um estado como o Amazonas, onde as desigualdades sociais são acentuadas. Em 2025, a distribuição dos absorventes ocorreu em diversos locais de fácil acesso, incluindo unidades do programa Prato Cheio e escolas da rede pública.

A entrega de absorventes não se limita ao fornecimento de um produto, mas representa uma ação de promoção de dignidade e inclusão. Meninas e mulheres que muitas vezes enfrentam a falta de condições financeiras para adquirir esses itens essenciais agora têm a oportunidade de experimentar um mês de menstruado sem a preocupação de como cuidar de sua saúde menstrual. Com 19.120 kits entregues na capital e 63.300 no interior, esta ação foi uma luz de esperança para muitas.

Impacto da distribuição de absorventes na vida das beneficiadas

Receber um kit de absorventes pode parecer algo trivial, mas a realidade é que isso impacta diretamente a vida de muitas jovens. Samala de Oliveira Bento, uma das beneficiadas pelo programa, expressou sua gratidão, ressaltando como a falta de recursos pode afetar a saúde e o bem-estar das mulheres. A distribuição de absorventes vai além da questão física; também envolve saúde mental e emocional, permitindo que meninas e mulheres enfrentem esse período do mês com dignidade.

Quando se fala em educação, essa questão se torna ainda mais crucial. Muitas adolescentes não conseguem ir à escola durante o período menstrual, simplesmente por não ter acesso a produtos de higiene. A possibilidade de ter absorventes disponíveis não só melhora sua saúde física, mas também assegura que continuem seus estudos, promovendo assim um ciclo de empoderamento.

Justiça social e direitos humanos em foco

O programa “Dignidade Menstrual” é um passo importante em direção à justiça social e ao respeito aos direitos humanos. A Secretária da Seas, Kely Patrícia, enfatizou a importância do combate à pobreza menstrual, que afeta desproporcionalmente meninas e mulheres vulneráveis. O governador Wilson Lima também reiterou seu compromisso com as pautas femininas, reconhecendo que iniciativas como essa são fundamentais para a promoção da dignidade de quem menstrua.

É importante entender que o fornecimento de absorventes não é apenas uma questão de saúde, mas também uma questão de igualdade de gênero. A pobreza menstrual é um problema que afeta a capacidade das mulheres de participar plenamente na sociedade, seja no trabalho, na escola ou em outras áreas. Ao garantir acesso a absorventes, o programa auxilia na quebra desse ciclo de exclusão.

Desafios e possíveis avanços

Embora o programa “Dignidade Menstrual” tenha alcançado um número significativo de beneficiadas, os desafios ainda são muitos. A pobreza menstrual é uma questão complexa que requer uma abordagem multifacetada. Isso inclui não apenas a distribuição de absorventes, mas também a educação sobre saúde menstrual, descontaminação do tabu relacionado à menstruação e ações que incentivem o empoderamento feminino.

Além disso, a continuidade da iniciativa é crucial. A manutenção do estoque de absorventes e a expansão do programa para mais localidades poderiam garantir que uma parcela maior da população tenha acesso a esses produtos. Parcerias com organizações não governamentais e o setor privado podem ser exploradas para ampliar o alcance do programa, além de iniciativas que promovam a produção local de absorventes sustentáveis e acessíveis.

Desmistificando a pobreza menstrual

Muitas pessoas ainda acreditam que a menstruação é um assunto tabu ou de pouco relevância social. Entretanto, desmistificar essa questão é primordial para avançar em direção a políticas públicas que garantam direitos a todas as pessoas que menstruam. O programa “Dignidade Menstrual” traz à luz a importância de se falar abertamente sobre menstruação, saúde íntima e, principalmente, sobre a dignidade que deve ser garantida a todas as mulheres.

Fomentar esse tipo de discussão nas escolas, nas comunidades e entre famílias é essencial para que a menstruação deixe de ser um tabu. Informar a população sobre a saúde menstrual e os direitos relacionados pode empoderar meninas e mulheres, promovendo um ambiente mais justo e equitativo.

Desafios sociais e a importância da inclusão

A pobreza menstrual é um reflexo das desigualdades sociais que existem em muitas partes do mundo, e o Brasil não é exceção. No Amazonas, a combinação de pobreza, falta de educação e preconceitos contribui para que muitas mulheres ainda vivam em condições que afetam diretamente seu bem-estar. O programa “Dignidade Menstrual” é um dos esforços para mitigar essas desigualdades e promover a inclusão.

Além disso, implementar políticas públicas que ajudem a entender as necessidades específicas das comunidades é essencial para garantir a eficácia de iniciativas como esta. Censo, pesquisas e escuta ativa da população podem ajudar a moldar futuras ações e garantir que mais pessoas tenham acesso ao que precisam.

Futuro do programa e a importância da continuidade

À medida que se avança, é fundamental considerar o futuro do programa “Dignidade Menstrual”. O que pode ser feito para garantir que essa ação se torne permanente e que mais meninas e mulheres sejam atendidas? A resposta está na continuidade e expansão da iniciativa. Um programa sustentável deve ir além da simples distribuição e incluir educação, conscientização e ações adicionais de suporte.

É necessário garantir que os recursos sejam mantidos e que haja um compromisso real do governo e da sociedade civil em promover os direitos de todas as pessoas que menstruam. Parcerias estratégicas e envolvimento comunitário são vitais para criar um ambiente mais saudável e inclusivo.

Perguntas frequentes

Quais são os critérios de seleção para receber os absorventes do programa?
O programa é direcionado a meninas e mulheres de 12 a 50 anos que estão cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico) e se encontram em situação de vulnerabilidade.

Como posso me inscrever para receber os absorventes?
Para obter informações sobre a inscrição, é recomendável procurar o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo ou entrar em contato com a Secretaria de Assistência Social.

Os absorventes entregues são sustentáveis?
A iniciativa se concentra em fornecer absorventes higiênicos regulares, mas a discussão sobre a inclusão de produtos sustentáveis está em pauta para futuras ações.

Como o programa é financiado?
O programa “Dignidade Menstrual” é financiado e administrado pela Secretaria de Estado da Assistência Social e Combate à Fome (Seas) do Amazonas.

Que outros serviços o programa oferece além da distribuição de absorventes?
Além da distribuição de absorventes, o programa visa promover a saúde menstrual e ações de conscientização sobre direitos e saúde pública.

É apenas uma iniciativa regional ou há planos de expandir o programa para outras partes do Brasil?
Atualmente, o programa é uma iniciativa regional, mas existem discussões sobre como modelos semelhantes podem ser implementados em outras partes do Brasil.

Considerações finais

Em um Brasil onde a desigualdade social ainda é um desafio cotidiano, iniciativas como o programa “Dignidade Menstrual” são provas de que mudanças podem ocorrer. Garantir o acesso a absorventes não é apenas uma questão de produtos; é uma luta por dignidade, inclusão, saúde e empoderamento feminino. À medida que avançamos, é essencial continuar essa discussão e garantir que todas as meninas e mulheres tenham acesso ao que é seu por direito. A dignidade menstrual é um passo fundamental, e é através de ações como esta que construímos um futuro mais justo e igualitário.